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Vale: recuperação do níquel beneficiará margens, p/analistas

São Paulo - 16 de Junho de 2009

Agência Estado

A expressiva recuperação do preço do níquel nos últimos dois meses ajudará a Vale a compensar parcialmente a queda de 28% a 44% nos preços do minério de ferro para 2009, anunciada na semana passada pela empresa. As cotações do níquel já subiram mais de 50% desde março e abril, quando o preço oscilou entre US$ 9 mil e US$ 10 mil por tonelada, chegando aos atuais US$ 15 mil por tonelada na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês).

Segundo especialistas, os preços foram impulsionados pelo fluxo de investimentos que estão abandonando ativos seguros como o dólar americano em busca de maior diversificação. No auge da crise, o movimento foi oposto e provocou uma forte apreciação do dólar no final do ano passado. Passado o momento de pânico, os investidores tendem a buscar maior rentabilidade, o que leva mais dinheiro para ativos como os metais e o petróleo. "O níquel está se beneficiando do maior apetite por risco e fluxo de dinheiro para commodities como um hedge para inflação", informou o Standard Bank, especializado na área de metais, em seu último relatório mensal.

De acordo com relatório da RC Consultores, a retomada dos preços das commodities também foi provocada pela intensificação dos movimentos especulativos após a expansão da base monetária nos Estados Unidos (emissão de dólares), iniciada na virada do ano. "Houve também uma forte expansão monetária em outros países, inclusive na China", informou. Apesar deste avanço nos preços, ainda é cedo para esperar uma retomada na produção de níquel da Vale porque o quadro de demanda segue fraco. O setor de aço inoxidável, principal consumidor do níquel, teve uma queda de 34,5% na produção no primeiro trimestre deste ano, para 4,832 milhões de toneladas, nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2000.

Em todo o mundo, a retração foi de mais de 40%, com exceção da China, que recuou 10,3%, segundo dados do Fórum Internacional de Aço Inoxidável (ISSF, na sigla em inglês). Na comparação com o quarto trimestre, as vendas de aço inox ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,5%. Por esta razão, o analista Pedro Galdi, da SLW, acredita que não existe demanda suficiente para a Vale retomar a produção que paralisou."Não há mercado para isso, mesmo com preços melhores", afirmou. Neste ano, a companhia anunciou vários cortes de produção nas suas operações de níquel. Segundo comunicado divulgado em abril, a empresa vai deixar paralisadas entre 1º de junho e 27 de julho as minas e as plantas de beneficiamento de Sudbury, na província de Ontário, Canadá.

As unidades de processamento de metais preciosos - um subproduto da mineração de níquel de Sudbury - em Port Colborne, Ontário, também ficarão paralisadas no período. As minas de Sudbury, que é uma das principais regiões produtoras de níquel do mundo, forneceram minério para a produção de 85,3 mil toneladas de níquel em 2008, equivalente a 31% da produção total da Vale. A empresa também postergou a entrada em operação do projeto de Onça Puma, que terá capacidade anual de 58 mil toneladas. No cronograma inicial de investimentos divulgado no ano passado, sua produção seria iniciada no primeiro semestre de 2009, mas passou para o primeiro semestre de 2010, com a ressalva de que o início depende das condições de mercado.

Procurada pela reportagem, a Vale não comentou o assunto. Para o economista Alexandre Gallotti, da Tendências Consultoria, os cortes de produção anunciados pela Vale e outras mineradoras em todo o mundo devem impedir que o preço volte ao piso de US$ 9 mil, que inviabiliza o negócio para as empresas. "A produção deve voltar de forma gradual para não comprometer novamente os preços", afirmou. Segundo o Standard Bank,a relação entre oferta e demanda no mercado está melhorando porque os cortes de produção estão finalmente influenciando este equilíbrio. Os cortes de produção de níquel já somavam 360 mil toneladas em maio de 2009, segundo o relatório. No ano passado, foram produzidas 1,372 milhão de toneladas do metal.

Para este ano, a instituição financeira prevê preços médios de US$ 13,9 mil por tonelada, mas as cotações médias devem subir para US$17,35 mil no ano seguinte. Apesar da expectativa de avanço, a projeção está muito abaixo das médias de 2007 e 2008, quando os preços foram de US$ 37,1 mil e US$ 21 mil por tonelada, respectivamente. Nos últimos trimestres, a intensa desvalorização do níquel trouxe efeitos muito negativos para a Vale. Em 2006, a mineradora brasileira tornou-se a segunda maior produtora mundial de níquel, ao comprar a canadense Inco. Na ocasião, o metal estava cotado por cerca de US$ 18 mil por tonelada. Em 2007, a empresa colheu bons frutos pela iniciativa porque o níquel chegou a mais de US$ 50 mil por tonelada, mas o sonho durou poucos trimestres.

No ano passado, o preço do metal caiu mês a mês, até ficar abaixo de US$ 10 mil. A baixa rentabilidade do segmento de metais não-ferrosos, que inclui o níquel, foi um golpe para o resultado da companhia no primeiro trimestre de 2009. O preço médio do níquel no primeiro trimestre foi de US$ 10,7 mil por tonelada, menos da metade dos US$ 28,6 mil por tonelada obtidos no mesmo período do ano passado. Desde 2004, o minério de ferro tem sido suficiente para garantir bons resultados para a Vale, devido às suas valorizações sucessivas.

No entanto, a queda do níquel e a redução dos volumes de venda de minério impuseram maiores desafios à companhia, que apresentou queda de 32,5% no lucro líquido no primeiro trimestre de 2009, segundo o padrão contábil norte-americano. A queda dos preços levou a participação do níquel na receita da empresa a cair de 30,3% para 15,5% no ano passado; no mesmo período, a fatia dos minerais ferrosos cresceu de 46,9% para 61,5% em função da forte alta do minério. No primeiro trimestre de 2009, este quadro se acentuou ainda mais, com o níquel representando 11,8% da receita e os ferrosos 64,7%.

Segundo especialistas, a recente alta do níquel ajudará a companhia no atual cenário de quedas de preço do minério, que terá seu preço médio reduzido em 32% em 2009, mas este benefício será reduzido por causa dos cortes de produção de níquel. De acordo com os padrões contábeis brasileiros, outro fator limitante para a empresa será o câmbio apreciado, que prejudica o desempenho da Vale, que é uma grande exportadora, segundo Galdi. A Vale fechou o preço para o minério de ferro vendido para siderúrgicas coreanas e japonesas, mas ainda não chegou a um acordo com a China, que pretende obter cortes maiores no preço.

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